Agroecologia é aposta promissora para o meio ambiente

16 de Maio de 2018.

Postado por: Flávio Diego

Por Mariana Grosche

”Agricultura: o que você alimenta quando se alimenta? foi a temática da palestra que ocorreu nessa terça-feira (15/05), na Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Higienópolis, em SP. O evento faz parte da X Semana da Biologia da faculdade, que conta com diversas atividades e cursos sobre a disciplina.

A palestra foi ministrada pelo professor Ricardo Rosário e teve como palestrantes João Adrien, representante da Sociedade Rural Brasielira, que media as relações entre produção rural e ecologia; Gabriel Menezes, porta-voz da ONG Instituto Auá; e Glenn Makuta, membro do movimento Slow Food, que figura uma contraposição à ideologia do fast food. Os pontos cruciais abordados foram: sustentabilidade, produção agropecuária, agroecologia, consumo de agrotóxicos e o desperdício em massa de alimentos.

A discussão girou em torno da necessidade vigente de um equilíbrio entre a produção alimentícia e a ecologia, a fim de conscientizar o público universitário a respeito do impacto que a compra e o consumo de determinados produtos causam no meio ambiente como um todo, uma vez que muitas empresas não cumprem o código florestal ou não comedem o uso de agrotóxicos ou compostos sintéticos.

“O maior obstáculo para chegarmos a um consenso tem sido a produção em grande escala, modelo proveniente da Revolução Industrial. A solução é uma mudança diretamente na matriz produtiva, através da admissão de uma rede de produção em pequena escala, que atenda localmente, e não globalmente”, afirma João Adrien. 

Por outro lado, o Instituto Auá aposta no empreendedorismo socioambiental, que é uma modalidade do empreendedorismo que visa fortalecer os meios de produção alimentícia locais. Gabriel Menezes, porta-voz da ONG, acredita que “uma das estratégias de ecoempreendedorismo é valorizar o produto, encarecê-lo. Produtos da Mata Atlântica estão mais caros do que produtos derivados do eucalipto, por exemplo, como uma forma de preservação.”

O debate remete também ao conceito de se alimentar bem, com qualidade, fundamento que o movimento Slow Food aderiu. O movimento começou em 1986, na Itália, quando a primeira loja do Mc Donald’s foi instalada no país. Segundo Glenn Makuta, membro do grupo, as questões essenciais que devemos abordar antes de consumir um produto são: Como foi produzida sua comida?; Por quais lugares passaram essa comida?; O que você alimenta, em relação aos impactos ambientais, econômicos, étnicos e políticos quando se alimenta com tal produto?

 

A imoderação no uso dos agrotóxicos

A questão do abuso do uso de agrotóxicos também foi abordada, e dados alarmantes foram divulgados: 504 agrotóxicos diferentes são permitidos na produção de café no Brasil, e o país utiliza 140 tipos de agrotóxicos a mais do que a União Europeia inteira, o que prova que há um incentivo em relação à utilização destes compostos químicos.

De acordo com Glenn, “é possível manter o equilíbrio e alimentar 7 bilhões de pessoas por dia se mudarmos nossos paradigmas. Nossa comida está envenenada e existem muitos interesses práticos por trás disso. O pretexto das pragas não é conivente, pois pragas apenas são denominadas pragas dentro de um sistema econômico. Biologicamente falando, as pragas fazem parte de um ecossistema que se recicla constantemente.”

A permacultura, prática que se centra na utilização de padrões observados em ecossistemas naturais para o plantio, foi uma proposta de solução para o desequilíbrio pautado. A agroecologia, agrofloresta e ecogastronomia foram expostas como demais soluções alternativas para a problemática.

 

 

 

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